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Metamorfose Ambulante
As transformações ocorridas nos jornais brasileiros a partir da década de 1940 e sua relação com o poder

Por Heber Ricardo da Silva

 

A imprensa escrita pode ser entendida como um importante instrumento para o estudo histórico, pois sua análise permite ao historiador entender os acontecimentos da sociedade, uma vez que, além de registrar, ela é capaz de influir fortemente na vida política nacional. Dessa maneira, o objetivo desse artigo é destacar o papel da imprensa brasileira como agente político e refletir sobre as transformações técnicas vivenciadas por ela, sobretudo durante as décadas de 1940 e 1950, momento em que os principais jornais nacionais assumiam um caráter empresarial e aproximavam-se do modelo jornalístico norte-americano.

Diversos pesquisadores se preocuparam em pontuar historicamente essas transformações, formulando periodizações para explicá-las. Para o historiador Nelson Werneck Sodré (1999, p. 261-275), até a segunda metade do século XIX, a imprensa nacional apresentava uma estrutura artesanal, com técnicas de trabalho rudimentares, sem dispor de um aparato técnico desenvolvido e uma ampla organização estrutural e econômica. Foi somente a partir do final do século XIX, com a introdução de inovações técnicas, que a imprensa artesanal cedeu espaço para a industrial, baseada em uma estrutura que lhe possibilitara o aumento de sua área de abrangência, distribuição, tiragens e aproximação dos padrões e das características peculiares de uma sociedade burguesa. Mas, foi com a consolidação da República, no início do século XX, que a imprensa nacional também se consolidaria, ou seja, os jornais entraram em sua fase industrial, apresentando, a partir de então, características empresariais e comerciais, momento em que as notícias passaram a ser entendidas como mercadoria, algo que poderia ser comercializado como qualquer outro produto.

Do artesanal ao industrial

Por sua vez, Bahia (1967, p.46-86) apresenta outra periodização para explicar a história da imprensa brasileira. Segundo ele, a fase inicial foi marcada pelo surgimento dos primeiros jornais, período que vai de 1808 a 1880. Nessa fase, o jornal era produzido de forma artesanal e a imprensa atuava em condições precárias, contando prédios velhos e máquinas compradas de segunda mão de países mais adiantados industrialmente. O segundo momento, denominado como a fase de consolidação e aventura industrial, começou por volta de 1880 e se estendeu até a década de 1930. Tal período se caracterizou pela passagem da tipografia artesanal à indústria gráfica, anúncio em cores, surgimento das agências especializadas de publicidade, aprimoramento da mão de obra gráfica, re-aparelhamento técnico dos jornais e surgimento do jornal em formato standart. A tipografia perdeu o seu conteúdo artesanal e conquistou a posição de indústria gráfica, trazendo consigo quatro inovações importantes: máquina de papel, prensa mecânica, prensa rotativa e linotipo. Já a terceira fase, classificada como moderna, foi marcada pelo surgimento do rádio, das cadeias jornalísticas e aumento de tiragens. Inegavelmente, a partir de 1930, ocorreu um desenvolvimento desenfreado dos meios gráficos e reais aprimoramentos das formas de se fazer jornal, representando um poder de indiscutível capacidade econômica. Porém, somente a partir do fim da Segunda Guerra Mundial que a imprensa passou a vivenciar transformações ainda mais aceleradas em todos os setores, passando a competir pelos leitores, que proporcionariam consequentemente aumento de tiragens e vendagens. Com o novo jornalismo, a imprensa nacional passava a sofrer influência do jornalismo norte-americano e se transformara em empresas de comunicação dotadas de uma considerável estrutura técnica comparada a da imprensa norte-americana e européia.

Para Lattman Weltman (1996, p. 157-175), a história da imprensa brasileira pode ser dividida em três grandes períodos. A fase pré-capitalista, quando se deu a instalação das primeiras folhas no Brasil, cujos serviços prestados eram apenas informativos. Fase que perduraria até o final do século XIX. A segunda fase iniciou-se quando a imprensa passava a incorporar, além das notícias, a opinião política, momento em que surgem as primeiras folhas oposicionistas, abolicionistas ou republicanas, as quais se beneficiavam, inicialmente, da liberalização e implantação das primeiras tipografias no Brasil. Surgiria, então, o jornalismo literário, que privilegiaria a divulgação de idéias e opiniões A terceira fase, iniciada a partir da década de 1950, caracterizava-se por modificações decisivas para a imprensa, como o avanço das técnicas, aumento do número de publicações e tiragem. O jornal, além de assumir cada vez mais um caráter de empresa, dependente, na mesma proporção, da publicidade e de verbas oficiais, vê-se obrigado a competir mais intensamente pela divulgação de notícias.

 

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