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Opinião
Marchando para o desfiladeiro
Por Noam Chomsky

 

A tarefa da Convenção de Mudança Climática das Nações Unidas ocorrendo em Durban, África do Sul, é aumentar decisões de política que eram limitadas em escopo a apenas parcialmente implementadas.

Noam Chomsky é professor Emérito de linguística e filosofia no instituto de tecnologia de Massachussets em Cambridge

Essas decisões remontam a Convenção de 1992 e o Protocolo de Kioto, de 1997, o qual os EUA se recusaram a aderir. O período do primeiro compromisso do protocolo termina em 2013. O humor pré- -conferência foi razoavelmente bem capturado na manchete do New York Times: “Questões urgentes, mas poucas expectativas.”

Enquanto os delegados se encontram em Durban, um relatório sobre os recentemente atualizados resultados de pesquisas feitas pelo Conselho de Relações Exteriores e o Programa de Atitude de Política Internacional (PIPA, em inglês) revela que “ públicos ao redor do mundo e nos Estados Unidos dizem que seus governos deveriam dar maior prioridade para o aquecimento global e apoiam fortemente uma ação multilateral para a execução das medidas”

A maioria dos cidadãos americanos concorda, apesar da PIPA esclarecer que o percentual “vem caindo nos últimos anos, de forma que a preocupação americana é significativamente menor do que a média global – 70% comparado a 84%.”

Estas atitudes não vêm do nada. Em 2009, as indústrias de energia, suportadas por lobbies empresariais, lançaram grandes campanhas que jogavam dúvida no quase unânime consenso dos cientistas sobre a severidade da ameaça do aquecimento global induzido pelo homem.

O consenso só é “quase unânime” porque não inclui os muitos especialistas que sentem que os avisos sobre a mudança climática não vão longe o suficiente, e o grupo marginal que nega qualquer validade da ameaça.

O padrão “ele diz/ela diz” de cobertura do assunto mantém o que é chamado “equilíbrio”: a esmagadora maioria dos cientistas de um lado, os negacionistas do outro. Os cientistas que propõem os mais terríveis avisos são em grande parte ignorados.

Um efeito disso é que apenas um terço da população dos EUA acredita que existe um consenso científico sobre a ameaça de aquecimento global –muito menos do que a média global, além de radicalmente inconsistente com os fatos. De acordo com a PIPA. “No geral, os Estados Unidos têm sido mais amplamente visto como o país tendo os efeitos mais negativos no meio ambiente mundial, seguido da China. A Alemanha recebeu as melhores avaliações.”

 

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