Um mal chamado co-dependência Por trás da dinâmica familiar na qual impera a figura do cuidador pode haver um padrão traiçoeiro de relacionamento e interação, ocultando fragilidades emocionais
Por Bety France
Abuso Emocional
É provavelmente a forma mais freqüente de abuso. É expresso pelo abuso verbal, abuso social e pela negligência ou abandono das necessidades do outro. O abuso verbalizado são os gritos, xingamentos, o sarcasmo e a admoestação humilhante e desrespeitosa, que faz os filhos sentir-se inferiores e inadequados. Pais críticos geram filhos temerosos de tudo: de não conseguirem fazer nada certo, de não serem aprovados na escola, de não aprenderem língua estrangeira.
Em qualquer sistema familiar, até mesmo nos funcionais, os pais ocasionalmente deixam de agir em benefício das crianças. Não existem pais perfeitos, e é provável que todos sejam pouco atenciosos de vez em quando. Porém, responsabilizam-se por suas imperfeições e pedem desculpa. Pais saudáveis confrontam a criança quando algo não é adequado mas de maneira firme, sem ferir-lhe a identidade.
Negligenciar qualquer necessidade do filho, interferindo arbitrariamente na escolha e acesso aos amigos (vida social), como alimentação, vestuário, abrigo, assistência médica, carinho físico e emocional (tempo, atenção, educação), informação e orientação sexual e financeira é expor as crianças a situações de abuso, dificultando seu desenvolvimento em direção à maturidade.
| "A PRIORIDADE DO CUIDADOR É IMPEDIR QUE AS PESSOAS CRESÇAM. O DISCURSO USUAL DO CO-DEPENDENTE É "DEPOIS DE TODA MINHA DEDICAÇÃO, VOCÊ NÃO PODE IR EMBORA" |
Dependências químicas (drogas ou alcoolismo), vício de sexo, compulsão por jogo, vício de religião, distúrbios alimentares, consumismo compulsivo, vício de trabalho ou de qualquer ordem estão entre as principais razões que levam os pais a negligenciar os filhos. Os pais co-dependentes talvez experimentem vícios, doença física ou mental como uma maneira de evitar a realidade por não suportá-la.
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| O abuso sexual nem sempre é manifesto e óbvio, mas transfere consciente ou inconscientemente para o filho a responsabilidade de suprir suas carências |
Todo vício é um processo compulsivo destinado a distrair a pessoa e afastá-la de uma realidade intolerável. Como tem a capacidade de mascarar a dor, seja qual for o vício, ele se torna a mais alta urgência na vida pessoa, tomando seu tempo e atenção de outras prioridades como seus filhos, que precisam de orientação e amor dos pais.
O abuso intelectual surge quando o pensamento da criança é ridicularizado, quando não é permitido expressar o que pensa ou ainda quando é reprovada porque seu pensamento difere do dos pais. O abuso intelectual também ocorre quando os pais invadem o processo de tomada de decisão dos filhos e decidem tudo por eles ou se omitem totalmente. Não é ensinado aos filhos que ter problemas e solucioná-los é normal.
A repressão da liberdade de pensamento das crianças impede a construção da identidade e individuação. Essas crianças, quando se tornam adultas, esperam que as outras pessoas lhe digam como fazer praticamente tudo. Algumas delas procurarão se casar com cônjuges controladores ou freqüentar ambientes onde haja regras muito rígidas. A prioridade do cuidador é impedir que as pessoas cresçam. O discurso usual do co-dependente é: "Depois de toda minha dedicação, você não pode ir embora".
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